DIRETO DO SOFÁ #7

Ei “pachecos” malcriados e que pouco entendem de esporte: o Brasil não é uma potência olímpica. Provavelmente, nunca será. Nesse país, sexta economia do mundo, não houve, talvez nunca haverá, investimentos de fato em políticas esportivas. O que há sempre é o patrocínio de ocasião – em tempos de jogos – quase sempre em nomes consagrados. Trabalho na base, em nenhum esporte olímpico, não existe nesse país. Dito isso, a campanha de sábado com três medalhas só pode ser vista como uma exceção. Nervosinhos, o verdadeiro Brasil Olímpico é esse: perde, é eliminado, fraqueja na hora H, tem complexo de inferioridade (problema crônico de toda América Latina) e por aí vai… As medalhas conquistadas sob a bandeira verde e amarela, na verdade, são conquistas pessoais, fruto de anos de trabalho… fala sério, você que tanto se incomoda com os fracassos esportivos desse país, nunca tinha ouvido falar de Sarah Menezes. Deixe de ser hipócrita então.

Desabafo também porque não tem cabimento os que os manés, que usam de maneira equivocada as redes sociais, fizeram com a judoca Rafaela Silva. Ela foi, entre outras coisas, chamada de “macaca” no twitter. Essa ira toda de um torcedor babaca se deu porque a moça perdeu. Ah, por favor, esses idiotas nunca perderam na vida? Rafaela é uma nova atleta, vindo de projetos sociais bancados não pelo poder público, que tem um potencial imenso, mas antes de tudo merece muito respeito. Ela botou a cara pra bater, se deu mal no tatame, mas esteve lá… E poderá voltar em 2016 e botar medalha no peito, aí os donos da verdade dirão o quê? Pedirão perdão ao menos?

Fico puto com essas coisas…

Lindo jogo apresentado pelos carinhas do vôlei masculino. Lembrou os velhos e bons tempos. Arrasaram a Rússia por 3 a 0 e ganham moral e calam, em parte, seus críticos. Estarão de volta os melhores jogadores de vôlei do mundo? Bruninho foi show. Murilo eficiente, líder…  Bacana…

César Cielo se poupou, fez o quinto tempo e está nas finais dos 100 metros livres. É um dos favoritos para amanhã, mas a série tá concorrida. Qualquer um pode levar…

Amanhã tem as meninas do Handebol contra a Grã-Bretanha. Não vou ver, estarei dando aula. Está dando gosto ver a raça dessa seleção. Viu, pachecos chatos, com trabalho sério, estrutura, enfim, projeto, as coisas funcionam. Esse time de handebol é um exemplo…

Leandro Guilheiro, favoritíssimo hoje no judô, perdeu. E foi fantástico em suas palavras: “Lutei mal, eles foram melhores e ponto final”. É isso… O que os brasileiros não entendem – quase sempre torcedores de ocasião que só assistem lutas de judô a cada quatro anos –  é que podem haver melhores do que nós em muitas coisas lá fora no mundão… O esporte é só um exemplo…

E viva o atleta brasileiro que contra tudo e todos ainda continua…

Ah, esqueci de falar do futebol feminino. Anos atrás, escrevi que mesmo nas derrotas, aquelas meninas lideradas por Martha tinham tanta alegria no jogo que dava gosto ver. Hoje, aliás nessa primeira fase toda, elas não fizeram sorrir (e não sorriram também)…  que será que acontece com elas?

CAPA DO DIA

DIRETO DO SOFÁ #6

Pobre é uma dureza. O danado se acostuma com a grandeza de belos momentos e quando o mundo volta ao seu normal, acha estranho e fica emburrado e insatisfeito. Pois é, brasileiro, bem-vindo à verdadeira face das participações tupiniquins em Olimpíadas. Depois de um sábado soberbo, nada de medalhas no domingo, nenhuma finalzinha sequer, um monte de eliminados, queda no quadro geral dos Jogos, enfim, o Brasil como sempre foi. Poxa…

Thomaz Bellucci, no tênis, encarou o sexto melhor do mundo Tsonga. Foi muito bem, está de fato numa nova fase de sua carreira, mas perdeu e acabou eliminado. Os judocas foram eliminados na primeira rodada. A equipe de ginástica feminina foi eliminada de todas as finais.  Um adendo aqui. Hora de repensar a ginástica no Brasil. Esse ciclo olímpico foi uma bomba, essas meninas ficam desesperadas na hora de decidir e aí nada funciona… Quero só ver em 2016.

Os times masculinos dos esportes coletivos deram a cara em Londres. O basquete, ausente dos Jogos de 1996, estreou bem. Passou um sufoco danado no fim, é verdade, mas venceu. Leandrinho confessou o nervosismo além do habitual. E na boa, a Austrália não era a baba que muita gente achava não. Boa vitória pra dar confiança…

Assisti esse jogo pela Record e foi muito engraçado o mão santa Oscar falando que o time brasileiro tem que se defender bem, defesa é a solução, blabla. Pra quem lembra do Oscar, sabe que defesa nunca foi o seu forte…

A seleção do Mano foi eficiente e não achei que tenha apresentado um mau futebol não. Levou um susto também, mas reverteu o placar com belos lampejos de Neymar e Oscar. Pato e Hulk também foram bem. Já Ganso a cada partida parece um ex-jogador que se arrasta em campo, quase aposentado, fugindo da bola… A vitória por 3 a 1 sobre a Bielorússia garantiu uma vaga nas quartas de final…

E o vôlei  pegou a galinha morta da Tunísia e fez aquilo que todo mundo sabia que faria. Passou por cima, no entanto, cometeu muitos erros, foram mais de 20 pontos dados para os africanos. Murilo sumido, de novo. Lucão bem e Giba parece recuperado de contusão.

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O maior vexame do dia foi a seleção espanhola de futebol masculino. Perderam de 1 a 0 para Honduras e como essa foi a segunda derrota em dois jogos já estão eliminados. Sorte do Brasil

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O judoca brasileiro Kitadai quebrou a sua medalha de bronze (risos). Verdade, não é piada

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Amanhã, dois destaques nas quadras: o vôlei feminino pega as norte-americanas e o handebol brasileiro encara Montenegro. Não vou ver nenhum. Minhas férias acabaram e meus dias inteiros de Jogos Olímpicos já eram… Segunda-feira, por exemplo, só volto das aulas à noitinha… Vou ver pouca coisa durante a semana, mas  esse despretensioso diário continuará diário…

CAPA DO DIA

 

DIRETO DO SOFÁ #5

Meu editor do livro do Santos me mandaria pro espaço, mas agora aqui no meu canto, vou usar esse adjetivo. Segura aí. O primeiro dia efetivo de competições pra tudo que era canto foi AUSPICIOSO para o Brasil. Fala sério, chique demais esse adjetivo. De fato, nunca na história dos Jogos Olímpicos, o país – que só lembra dos esportes olímpicos em tempos de Olimpíada – se superou com a conquista de três medalhas, uma de cada metal, o que colocou a delegação brasileira num fugaz quarto lugar no quadro geral de medalhas.

Cinco da manhã, eu levantava da minha caminha nova para trabalhar e ver o judô. Ontem eu falei que ia rolar medalha com Sarah Menezes. Lembra? Entendo um pouquinho. A mocinha deu um show. Foi soberana de fato. Primeira judoca do Brasil a faturar um ouro. Aliás, o judô com as duas de hoje passou a vela como esporte que mais rendeu triunfos ao Brasil. O bacana da Sarah é que quatro anos atrás, ela chegou como promessa que poderia render já em Pequim, com apenas 18 anos. A brasileira amarelou e perdeu em sua primeira luta. Hoje, ela não deu bobeira… Bela volta por cima. Torci pro Felipe Kitadai conseguir o bronze. Ele tremeu contra o japonês, mas sempre que se impôs perante ao adversário, Felipe venceu. Faz 23 anos hoje e não tinha favoritismo nenhum. Levou o bronze… Show!

Falando em amarelões, cara, que sina essa do Diego Hypolito. Sei lá, contrata um psicólogo, faz alguma coisa. Ele passa quatro anos treinando, conquistando mundiais, sendo o número um do ranking. Aí na hora boa da Olimpíada, toim, Hypolito cai. Foi sua segunda olimpíada, sua segunda queda, sei não, mas acho que não haverá chance para uma terceira.

Hugo Hoyama é outro que putz grila o que vai fazer numa Olimpíada? Sexta participação e sexta eliminação precoce. Aliás, vexame total do tênis de mesa. Hora de rever conceitos.

Thiago Pereira, um célebre amarelão, calou a minha boca e finalmente levou uma medalha em Jogos Olímpicos. Em quatro oportunidades em outros Jogos, Thiago chegou em quarto lugar. Hoje, foi segundo, pareceu que não ia nem chegar, mas aguentou o tranco. O legal é que os 400 metros medley não é a sua especialidade. Quem sabe nos 200 m, sua favorita, ele amarele pra valer com o ouro…

Duas surpresas brasileiras: os ginastas Arthur Zanetti e Sergio Sasaki se classificaram para finais na ginástica masculina. Marcelo Melo e Bruno Soares seguem na competição de duplas de tênis.

Uma decepção: o quarto lugar de Michael Phelps na prova em que Thiago Pereira ganhou medalha.

Um susto: Roger Federer dormiu, perdeu um set, mas se garantiu na segunda rodada do torneio de tênis.

Uma constatação: Juliana e Larissa vão brigar por medalha assim como Ricardo e Pedro.

Pincelada sobre os esportes coletivos: suadas vitórias no Handebol e no futebol. No primeiro, é clara a força dessa seleção comandada pela goleira Chana. Já o time de futebol, sei não, está estranho. Na verdade, a Marta tem me parecido meio fora de sintonia, bicuda, brava demais. O basquete até me surpreendeu nos três primeiros quartos. Parecia que ia vencer até. No último quarto, desandou. Fez só nove pontos e vixe levou surra, que aliás será uma constante nesse torneio. Não vejo mais esse time não… O vôlei encarou a novata e bem armada Turquia. No quarto set e que poderia ser decisivo, a seleção abriu uma vantagem de 18 a 10. O impossível aconteceu. A Turquia reagiu. Vitória turca por 27 a 25. Jogo para o tie-braker. Muitos erros. Emoção total. Brasil 15 a 12. Time brasileiro é teste pra cardíacos. Não pode errar desse jeito, não…

Com as três de hoje, o Brasil coleciona 94 medalhas em toda a história dos Jogos Olímpicos. Quem ganhará a 100ª? Acho que vai ser o César Cielo…

Amanhã, estreias do basquete e vôlei masculinos. Aí sim, o bicho pega. Futebol de Neymar talvez apareça também contra a Bielorússia. Bellucci joga contra o sexto do mundo em sua primeira partida no torneio de simples do tênis. Maldade eu falar o resultado? Bye Bellucci (risos). Domingo talvez passe em branco no que se refere a medalhas. Leandro Cunha no judô pode ser o nome do dia. Ele foi vice-campeão mundial em 2010 e 2011 no peso meio-leve. È candidato a algo … Na natação, quem sabe uma boa surpresa no revezamento  4×100 metros livres.

Acho que não esqueci de nada

CAPA DO DIA

DIRETO DO SOFÁ #4

O diário olímpico de quem queria estar em Londres, mas não está!

A cerimônia de abertura – interminável  – dos Jogos Olímpicos tem sua graça. De verdade, não tenho a mínima paciência para os desfiles das delegações, mas as historinhas contadas pelo diretor do espetáculo Danny Boyle (aquele de Trainspotting e Quem quer ser um milionário?) foram bacanas. Impagável Mr. Bean tocando a canção tema de Carruagens de fogo. Assim como a rainha tirando cutícula, com cara de sono, quando a imensa delegação britânica desfilava. A Coreia Norte desfilou com uma bandeira grandona para se vingar da falha no futebol feminino de quinta-feira. Mas eu não vi, estava esquentando minha janta…

Marina Silva carregando a bandeira olímpica… muito chique essa mulher e admirável…

Arctic Monkeys mandou bem (poxa, gosto dessa banda, viu..) e Paul McCartney tocou um pedacinho de The End… LINDO, LINDO, LINDO, a minha preferida daqueles caras de Liverpool…

E todo mundo cantando junto… Lalalalalalalala, lalalalala, hey Jude….

Festa bonita…

Amanhã, medalha para o Brasil. A judoca Sarah Menezes vai para o tatame logo cedo. Se rolar final, será por volta do meio-dia. Ela é a segunda do ranking mundial e favorita sim a uma medalhinha…Tem também as estreias do basquete feminino, do vôlei feminino e do handebol feminino (preste atenção nesse time). Brasil também participa no boxe e na natação… Segunda rodada do futebol feminino, Marta e cia. enfrentam a Nova Zelândia…Dia cheio

Ah, você deve ter visto aí do lado, a cada da semana: o GUIA das OLIMPÍADAS do Lance. Muito bom mesmo… Um guia de verdade, coisa que a velha e boa placar dos anos 80 fazia… agora não mais. Toda a programação dos jogos, dividida em horários, esportes, participação, o brasileira… show mesmo, belíssimo trabalho editorial…

A partir de hoje, publico a capa do dia, ok?

DIRETO DO SOFÁ #3


O diário olímpico de quem queria estar em Londres, mas não está!

Tinha me esquecido, não sei qual a razão, mas hoje retomei um velho hábito: torcer para a seleção japonesa. Abracei a causa nipônica há dez anos, sei até cantar o hino, e vesti a camisa mesmo. Hoje de manhã, o Japão partia para sua estreia no futebol justamente contra uma das favoritas do torneio: a Espanha. Falta talento ao Japão – menos do que há dez anos, mas a entrega do time é total. Quem esperava baile espanhol, viu um escrete asiático bem montado, marcando a saída de bola rival e levando muito perigo ao gol adversário. O resultado de 1 a 0 para o Japão foi surpreendente, no entanto, não representou o que de fato foi a partida. Os japinhas perderam quatro gols feitos e a Fúria escapou de um vexame histórico. Foi bacana e deu saudade. E quero uma camisa do Japão, puta uniforme bonito.

Aliás, os favoritos do torneio de futebol masculino não tiveram vida fácil na primeira rodada. O Uruguai de Cavani e Suarez venceu de virada por 2 a 1 a seleção dos Emirados Árabes. Mexicanos empataram em 0 a 0 com a Coreia do Sul. Os britânicos também empataram. 1 a 1 com Senegal. O Brasil venceu, mas sofreu muito no segundo tempo. O Egito não era a baba que muitos falavam. Vinha credenciado por bons resultados na base. A seleção brasileira, por exemplo, empatara com eles no Mundial sub- 20 em 1 a 1 ano passado. O time de Neymar e Hulk, a partir dos 16 minutos, mostrou um bom futebol e aí sim para minha surpresa vencia os egípcios por 3 a 0. Fácil, certo?

Na segunda etapa, um apagão geral. Neymar sumiu de vez, a defesa bateu cabeça, Hulk perdeu o verde e o Brasil levou dois gols. Pressão total. No fim, uma suada vitória por 3 a 2.

Sei não, sei não…

Amanhã, abertura oficial dos Jogos no final do dia. Antes, preciso dar uma acelerada boa no terceiro e penúltimo texto do livro sobre o Santos e começar a arrumar as aulas da semana que vem. Férias acabando…

O choro de Otsu, autor do gol japonês, no final da partida foi a imagem do dia.

Saudade daquela terrinha…

DIRETO DO SOFÁ #2

O diário olímpico de quem queria estar em Londres, mas não está!

Esporte na minha vida sempre foi fundamental. Comecei a jogar futsal com cinco anos de idade (ganhei com isso duas tendinites nos joelhos), lutei judô, fiz natação, fui levantador no vôlei colegial e brinco de basquete até hoje. Sou fissurado no assunto, portanto. Descobri essa tal de Olimpíada em 1984, quando ela aportou em Los Angeles. Colecionei álbum de figurinhas e sofri minhas primeiras “decepções” esportivas com as pratas do vôlei masculino (timaço de William, Bernard, Renan e cia.) e do futebol. Por isso, quando a Olimpíada chega, de verdade, meu ritmo muda, fico até mais feliz. Pode parecer bobagem ou infantilidade, mas acordei hpje mais agitado do que de costume. Oficialmente, Londres abre suas portas para os Jogos só na sexta, mas as competições de futebol feminino começariam no fim dessa manhã. Era pra ter saído da cama às seis, levantei uma hora e meia depois, e corri com minhas coisas para estar livre e 100% focado (se é que eu consigo ainda ficar focado 100% em qualquer coisa que seja) nos jogos das meninas.

Ao meio-dia, grupo do Brasil, Grã-Bretanha fazia sua estreia contra a Nova Zelândia. Esperei a haka, mas acho que meninas não fazem haka ou sei lá não se pode fazer haka nas Olimpíadas enfim. Jogo feio, chato, bobo e quando começou França e Estados Unidos da Hope Solo (ahhh Hope Solo), quase desisti das donas da casa. As britânicas venceram por 1 a 0. Nova Zelândia não apresentou nada de interessante. Se Marta e cia. não bobearem, vitórias tranquilas. Com um olho, pelo portal Terra – bela surpresa diga-se, EUA e França faziam um jogo bacana. A França marcou dois gols em 15 minutos e parecia que surpreenderia. Que nada. No final do primeiro tempo, as atuais campeãs olímpicas empataram a peleja. Fui ao banco resolver umas coisas e quando voltei, o embate estava no final e, pra minha surpresa, super virada norte-americana, 4 a 2.

A graça do dia de fato era a estreia da seleção brasileira. O adversário seria Camarões, sem tradição alguma no futebol das meninas. Era, então, pra ser uma estreia fácil, sem estresse. Foi. Poderia ter sido mais. Com dez minutos, o Brasil vencia por 2 a 0. As africanas eram rápidas no contra-ataque e completamente ineficazes nas conclusões. Com a vantagem, o time amarelo tirou os dois pés do acelerador. Marta estava apagadíssima. Cristiane, que começou no banco, entrou no segundo tempo, mexeu com o time. O Brasil fez mais três. Marta não brilhou, mas olha só como se define o conceito de craque: ela deu uma assistência e marcou dois gols.

Foi mais um treino de luxo. O futebol brasileiro mostrou alguns buracos defensivos que podem ser bem utilizados por rivais mais poderosas. E sei lá, a Marta não parece a Marta, está sem alegria, “pesada”…

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Por que raios o time feminino ainda joga com o modelo da Nike do ano passado com a aquela faixa verde monstruosa no peito? Os homens jogarão com a “camisa nova”…

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Duas gafes ridículas e constrangedoras logo no primeiro dia. Uma atleta grega do atletismo foi cortada por ter divulgado em sua conta do twitter uma mensagem de cunho racista. Infame, eu diria. Muito bem cortada, gente babaca como ela não merece uma Olimpíada…

No jogo entre Coreia do Norte e Colômbia, as asiáticas se recusaram a entrar em campo porque um dito cujo da organização do evento trocou as bandeiras. No lugar da norte-coreana, apareceu a bandeira da Coreia do Sul. Como todo mundo sabe, dã, os dois países são rivais históricos, politicamente falando…

Ahh, mais uma pra terminar e essa vem das deslumbradas apresentadoras da Record: “… então, daqui a pouco, jogo do Brasil, direto de Cardiff, País de Gales, na Inglaterra!”…

Pois é…

Amanhã, estreia da seleção do Mano…

DIRETO DO SOFÁ #1

O diário olímpico de quem queria estar em Londres, mas não está!

 

Um lugar que eu gostaria de estar agora? Óbvio! Como fotógrafo, jornalista, contador de histórias ou sei lá o quê, só há um local no planeta em que desejaria estar: LONDRES!!!!!! Nos tempos de revistas, cobri um Mundial de Natação, lá no Japão, e foi uma experiência única. Corre pra lá, pra cá. Entrevista um, fotografa outro. Cara, adrenalina total. Imagina uma olimpíada então. Mas como “querer não é poder”, cá estou morrendo de inveja dos coleguinhas, vendo tudo pela TV. Não sei se alguém vai ler ou se interessar, porém, vou tentar fazer um diário dos Jogos Olímpicos. Isso, sim, um diário, daqui do meu sofá, entre uma aula e outra na escola, entre um capítulo e outro do livro do Santos, vou cair de cabeça nas transmissões do SPORTV e da ESPN (ao menos isso e viva o capitalismo – estou sendo irônico!) e depois passar para o papel sensações, desejos, alegrias e tristezas de um torcedor comum. Sei que não tenho disciplina alguma pra fazer isso. Quem sabe, sai algo… Não sei…

A primeira página desse diário vai pra uma listinha básica das pretensões brasileiras em Londres. Antes, deixemos claro algumas coisas, sem hipocrisia Não há projeto olímpico no Brasil. Nunca houve e, do jeito que anda o mundo, nunca haverá. Esse país, sexta economia do mundo, tem exceções esportivas e nada mais, basta lembrarmos de Gustavo Kuerten e o que restou do tênis nacional depois de sua aposentadoria. Dito isso, não se pode acreditar que uma sacola cheia de medalhas signifique que o país do Carnaval agora tem uma política esportiva. Mentira. Os bancos que agora aparecem fazendo propagandas bonitinhas, por exemplo, só surgem com seus patrocínios na hora da Olimpíada. Enfim, os interesses são outros e quase nunca beneficiam quem de fato merece…

Dito isso e o que também não foi, a deleção brasileira, que é menor – não muito – do que a de Pequim 2008, deve faturar cerca de 12, 15, 20 medalhas. Se as previsões otimistas forem confirmadas, será a melhor participação tupiniquim no evento. O futebol brasileiro, tanto no masculino quanto no feminino, deve trazer medalhas. Conta aí, duas. O vôlei de quadra e praia, masculino e feminino, podem faturar quatro medalhas. O judô com equipes completas é cotado para cinco medalhas. Zebras são bem-vindas, então marque mais uma aí. A vela, maior ganhadora de medalhas do país (se é que eu fiz a minha pesquisa direito), deve levar pelo menos três medalhas. O Hipismo leva uma. O Atletismo, duas (Fabiana Murera e oxi esqueci o nome da saltadora que ganhou em Pequim). A Natação tem o Cielo, França e Fratus. Quatro medalhinhas no mínimo. Diego Hypolito, se não amarelar como na China, leva uma no solo. Fabiana Beltrame no Remo é aposta boa. Tá aí, senão esqueci ninguém, mais ou menos 20 medalhas. O Brasil pode surpreender ainda no Basquete Masculino, no Handebol feminino, no Taekwondo (escrevi certo?), provas de revezamento no Atletismo asculino, maratona masculina (uai, por que não?) …

É isso… tem alguma opinião formada sobre o assunto?

Me cobre esses pitacos no final dos jogos.

Amanhã já tem jogo de futebol feminino e o Brasil de Marta estreia contra Camarões. Direto do meu sofá, não vou perder….

Nos falamos…

A ÚLTIMA HISTÓRIA

Há coisas que são. Outras não. Ele era. Não tinha dúvida alguma. E graças a essa certeza, quando fez tudo o que fez, fez sem pensar duas vezes, sem arrependimentos, sem nostalgia, sem lágrimas de adeus.  Ele acordou numa manhã de sexta, depois de uma madrugada difícil de sangue, catarro e dor e decidiu que faria o que tinha que fazer. Antes de tudo, se olhou nos olhos no pequeno espelho de borda laranja. Olhou fundo nos olhos e viu tudo. Desta vez, não se assustou e sorriu seu sorriso mais honesto.

E aquela gota intermitente, persistente, aborrece. Fecho a torneira. E aquela gota intermitente, persistente, aborrece. Fecho a torneira. E aquela gota intermitente, persistente, aborrece. Fecho a torneira. E aquela gota intermitente, persistente, aborrece. Fecho a torneira. Um vulcão explode em meu quarto. A picada não dói mais. Ela alcança meu sangue, minha alma. Agora, sinto sentir.

Todos os quadros que pintou, mantidos guardados metodicamente, foram levados para o escritório. Uma análise séria de uns, descarte rápido de outros. Em alguns, um olhar sempre rabiscado de preto que atormentou quase toda a sua existência, um painel em especial cores vivas, radiantes, num cenário vazio e triste, sem vida. Coisas que só ele conseguia ver e unir: festa e tristeza numa mesma cena. Passa os dedos nos relevos, lembra das pinceladas, da sensação e sentimentos quando tudo transpôs para as telas. Recorda dos cheiros do óleo de linhaça, das tintas, do quanto macios eram os pincéis, das formas que deixavam no quadro indo e vindo em movimentos não organizados. Lembra que era feliz pintando. Era sim.

A picada não dói mais. Em segundos, ela alcança meu sangue, minha alma. Sinto um frio imenso. Acho que posso voar. Minhas asas (onde estão minhas asas?) não são necessárias. Posso voar. Meu pai, que desistiu de mim, empurra o êmbolo com prazer, seus olhos brilham. Uhnnhhhhh. A calmaria se dispersa e como num temporal sem aviso, estou confuso e assustado. Meu coração sai pela boca. Seguro ele com cuidado, não quero machucá-lo. Ele bate em minhas mãos. Fede como bosta. Engra-çado, meu coração é um monte de merda. Aperto com força e ele escorre pela minha mão

A montanha de passado no meio do escritório.  Quadros menores em cima dos maiores. Ele pensa pintar essa cena, mas logo deixa pra lá. Abre duas gavetas grandes. Dentro delas, pilhas de negativos, cromos, fotos em papel. Cor, preto e branco, suaves, discretas, românticas. Fotos de toda uma vida de câmera na mão. Olhar apurado, ultrapassado, diferente e quase sempre incompreendido, ignorado. Não há datas nelas, mas ele pode se lembrar de cada clique, cada processo, cada viagem. O cheiro do mar, do lixão, da morte, da vida. Os olhões dela. Tudo isso ali naqueles segundos de uma vida toda. Perde tempo com uma. Olha com atenção, procura o conta-fio, vê o grão, sorri de novo, mas agora é um sorriso nervoso, um sorriso de por quê? Todas as cenas empilhadas, arremessadas para cima da escultura desajeitada construída de telas.

Puxo o cobertor até o seu queixo. Ela não se mexe, esboça um sorriso. Nenhuma luz, nenhum barulho. Apenas a respiração da moça. Ela dorme em paz. Amei, amei, sim, amei. Deixo o dinheiro em cima da cômoda. O perfume dela me acompanha. É suave. Nunca mais a vi naquelas esquinas nos invernos que se passaram. As mãos naqueles cabelos. Não sei nada dela, nem seu nome. Talvez, pense em mim, quem sabe? Minha primeira paixão não foi uma mentira. Eu quero acreditar que foi real. “Strawberry fields forever”, vomita o outdoor que iluminava meu rosto infeliz, velho e cansado.

Todos os livros nas estantes. Uma passada rápida de olhos. Com fúria e força, empurra suas estantes para o chão. Todos os livros agora estatelados, judiados, amassados, jogados e perdidos no meio do escritório. Um se abre num poema. O homem o lê. Confirma com a cabeça. “Pois é”. Ainda não acabou. Dentro da pequena gaveta, uma máquina de cortar cabelos. Ele a liga. Passa o instrumento por toda a cabeça cinza e nada resta depois de alguns minutos. No chão, ao lado dos livros, fotos e quadros, os cabelos oleosos, brancos, fracos. No armário, cabides com camisas, calças, camisetas, tudo retirado com violência e pressa.

Então é assim que acaba? Um apagar de luz? Um big bang ao contrário? E nada mais seremos? Ninguém para lembrar que um dia existimos? Ninguém?

Faltavam apenas as roupas do corpo que são tiradas com paz, sem pressa, como se um ritual de purificação se iniciasse. Camisa, calça, cueca, meias. Todas no monte de vida e passado jogado no chão.

Caminha até a cozinha. Há uma caixa de fósforos em cima da pia. Ele volta ao escritório. Revê tudo aquilo, está decidido mesmo.  Acende um fósforo e o atira na pilha de coisas e histórias que contou. A fogueira logo se instala. Ele sorri o nada. “I’m free”  e diz em inglês porque acredita ser assim mais bonito de dizer. Dá as costas ao incêndio que cresce sem temor algum, como se quisesse dizer “eu agora dou as cartas”.

Sentado, as mãos cruzadas entre joelhos, a sua frente o mar e o menino chutando ondas.  Cabelo do pai/menino escorrido na testa. Entorpecido com a vida e tudo o que ela é e não será. O menino tem medo do mar, mas só quando o pai não está por perto. O menino quer voar. Posso?Vai! E o filho foi… perdido entre as ondas.

O homem abre a porta da casa. Sai por ela. A fecha. Duas voltas e um clique. Porta fechada. Vai pela rua sem querer saber de mais nada. Não olha para trás porque assim tem que ser e será e foi. Simples assim.

Da janela entreaberta, a fumaça preta quer voar, voa, voa longe, bem longe.

Freud

O sonho foi assim. Havia uma grande mesa e era claro pra mim que pessoas estavam jantando, mas mais do que isso, era uma espécie de celebração. Fui logo perceber que na verdade se tratava de uma despedida. Na cabeceira dessa grande mesa, uma mulher. Uma senhora com fáceis 90 anos de idade, cada um deles identificado no rosto, no corpo, na testa avantajada e nos longos e ralos cabelos brancos amarrados num rabo de cavalo. Ela parecia a Nicole Kidman, fazia lembrar ao menos. Ela diz coisas para as pessoas. Não consigo ouvir. Aí então finalmente me faço presente nessa história. Meu peito dói tanto ali que parece que vai explodir de verdade. Digo: “Eu vou perder você de novo!” Abraço a velhinha com força, sinto seu corpo fraco, seus ossos saltando da vida, beijo a velhinha que agora não é mais velhinha. Acordo com o coração acelerado e uma puta tristeza do tipo sozinho de novo ou pior perdi de novo ou quem sabe as duas coisas juntas ao mesmo tempo agora.