DIRETO DO SOFÁ #11

Não sou um homem de deixar transparecer emoções, a não ser a raiva e ódio. Isso sou eu há tempos e pouco me importo com o que pensam disso. Esporte, seja ele qual for, é uma das poucas coisas do mundo que me deixa leve, menos, sei lá, puto com o mundo. Por isso, como já disse tantas vezes, os Jogos Olímpicos são sempre especiais pra mim, eu curto de verdade, vejo e até me dou o luxo de deixar a razão de lado e torcer. Há dois esportes em que a minha torcida é real e me faz parar tudo. Paro pelo basquete masculino (que mesmo sendo tão baixo, jogo sempre que posso e jogo bem) e congelo pelo vôlei masculino, que tanto joguei como levantador, meio e até hoje brinco na escola. Adorei a volta da seleção de basquete.

Dirigidos pelo argentino Ruben Magnano e com os craques da NBA e NBB fomos um time de respeito. Quinto lugar pra comemorar…

Mas aí tem o vôlei e meu coração bate diferente. Lembro perfeitamente de 1982 quando comecei a entender esse esporte. Lembro de William, Renan, Bernard, Xandó, caras que jogavam tanto e que me inspiraram a deixar o futsal e seguir o vôlei colegial. Lembro de 1992 quando a primeira medalha de ouro foi conquistada por esses caras numa manhã de domingo. E depois fui brincar de Maurício, Giovane e Tande com os colegas da escola numa rede montada no meio da rua. Eu bloqueava, pulava, era feliz pra caralho…

Lembro de 2001, quando fotografei e entrevistei Giovane no Japão pela Liga Mundial. E no dia seguinte, ele me reconheceu e veio falar comigo e foi tão bacana. Só faltou eu bater bola com ele…

      E chegou a Olimpíada de Londres. Eu fotografando esse time sempre que havia chance, fazendo belas fotos, e entendendo que o Brasil de Giba, Murilo, Bruninho e Serginho não tinha chances, não era favorito pra medalha alguma. Eu sabia disso racionalmente. Houve o jogo contra os Estados Unidos e o time de Bernardinho levou uma surra. Pensei já eras. Mas não queria pensar isso porque essa equipe tinha dominado o mundo por mais de uma década e sempre surpreendendo, crescendo, se reerguendo nas horas mais difíceis. Isso aconteceu em Londres e mesmo dois, três, quatro degraus abaixo da Polônia, Estados Unidos e Rússia, os caras estavam na final e metiam dois sets a zero na Rússia na disputa pelo ouro. Puta que pariu, eu pulava dentro de mim… talvez fosse felicidade !

Esse ouro marcava o fim de uma geração que talvez tenha sido a maior de todos os tempos. Cara, 38 pódios em 40 torneios disputados. Mas, e sempre tem um mas, havia um terceiro set, houve um quarto set, um quinto e uma derrota inexplicável …

Derrota dolorida demais para quem gosta e acompanha um esporte há tanto tempo. Chorei porque só isso poderia ser feito enquanto perplexos aqueles caras olhavam pro nada tentando entender…

Eu sei que é só um jogo e é mesmo… enfim, belo fim para um time de sonhos que tive o prazer de ver nascer 11 anos atrás…

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Linda medalha de bronze Yane Marques no Pentatlo moderno

Belíssima maratona dos três brasileiros nessa manhã

Sensacional virada de jogo do vôlei feminino com a bela Jaqueline…

O boxe da família Falcão foi indescritível

E que cara é esse Serginho, hombridade acima de tudo…

E esse Wallace, um monstro na ponta…

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E amanhã, segunda, tudo volta ao que era antes… uma pena, eu queria Olimpíada o ano inteiro, o tempo todo…

CAPA DO DIA

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